Wednesday, February 18, 2009

Lá na roça, uma tardinha
Num dia já bem atrás
me enamorei da Rosinha
era eu ainda um rapaz.
Prisioneiro dum sorriso,
Embeiçado dum olhar
Fui vítima de tal feitiço
que ainda hoje tenho enguiço
e me custa até lembrar.

Ai, Rosinha você partiu
da sanzala já faz tempo...
Se fartou de meu amor
me deixou só, ao relento..

E patrão sempre resmunga
quando trabalho o café
porque me vem seu perfume
e sobe em mim tanto lume
como se a tivesse ao pé.

Ai, Rosinha você partiu
se foi embora de mim,
me deixou tão de repente
sem um adeus, só, assim...

Todo o dia eu só quero
quando a noite vai chegar
ir logo logo dormir
para poder ir sonhar

Sentindo você nos meus braços
seu corpo colado ao meu
bailando bem devagar
a morna de "Zé Tadeu"

E não vou mais trabalhar
nem o grão nem o café
por causa desse perfume
que me dá tanto lume
como se a visse a meu pé!

Ai, Rosinha, você foi embora
e nem porquê me confessou.
Traz meu coração agora,
Que na mala você o levou!

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Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...