Friday, February 27, 2009

Poderia fazer uma descrição mais ou menos completa do aspecto físico dum livro, do tipo « um gato é uma coisa que tem bigodes».
Se assim fosse, definiria o livro como «uma coisa que pode ter uma capa dura (ou não) com muitas (ou poucas) folhas de papel lá dentro, cheias de desenhos, palavras ou números, ou simplesmente lisas e brancas».
Bem sei, bem sei! Dir-me-ão que esta definição é muito vaga, mas a ideia é essa. Tem de ser assim. Definir o objecto-livro, está bem. Definir o livro-livro é tarefa quase impossível, já que cada um é diferente do outro. Falo, claro está, do livro enquanto obra de alguém, seja ele uma novela, um tratado de geografia, uma colectânea de poemas ou um álbum de BD.
Um livro tem uma vivência quase humana. Começa nú. Como nós. Vazio e puro. Depois é aberto como uma virgem, há sempre uma primeira vez . Finalmente, desenvolve-se e pode mesmo ter “descendência” .
Livros há que morrem ou são mortos. Outros há que perduram e se imortalizam.
Podem ter cabeça, ou não, consoante o seu autor o criou «com cabeça», ou
mãos porque o encheu de desenhos ou, corpo, como aqueles de estilo “hardcore”. E até pernas, por exemplo, para os editores, quando estes afirmam com um ar sabedor e inquestionável que « a obra tem pernas para andar».
Enfim, vou-me ficar por aqui. Isto não é um livro. Só uma dissertação sobre o mesmo e já vai para aqui um verdadeiro romance...

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Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...