Gostava de ter tempo
para me deitar ao teu lado
na relva do jardim
e olhar as nuvens,
com o teu corpo embrulhado no meu.
Gostava de ter mais tempo
para me sentar de novo ao pé de ti,
vendo-te sorrir, de olhos franzidos do sol,
nas escadas, em frente ao rio.
Gostava de pedir tempo ao tempo
para não te deixar partir
e permanecer nos teus beijos,
selados pelos meus braços
Mas o tempo passou e tu foste com ele.
Restas-me agora na saudade e na paisagem.
Friday, October 22, 2010
Não leio
Não penso
Não escrevo
Não faço
Não nada
Estou quase paralisada
Só olho sem ver
E quero passar
Adiante, sem perturbar,
Na rua alguém a andar
E eu parada a olhar...
Vazio inquieto, este
Cansaço dormente
Oca forma de semente
Contraponto estranho
Escolha imposta
E sem tamanho
Não vejo
Não toco
Não mexo
Não desejo
Não nada
Estou morta e enterrada
Catatónico estado
De viver pasmado
Sem ritmo nem vontade
De correr a vida,
Sem fazer alarde!
Não penso
Não escrevo
Não faço
Não nada
Estou quase paralisada
Só olho sem ver
E quero passar
Adiante, sem perturbar,
Na rua alguém a andar
E eu parada a olhar...
Vazio inquieto, este
Cansaço dormente
Oca forma de semente
Contraponto estranho
Escolha imposta
E sem tamanho
Não vejo
Não toco
Não mexo
Não desejo
Não nada
Estou morta e enterrada
Catatónico estado
De viver pasmado
Sem ritmo nem vontade
De correr a vida,
Sem fazer alarde!
Thursday, October 21, 2010
Entardeço.
Olhando as nuvens que passam
empurradas pelo vento
e o sol, meu amigo, que me acompanha e abraça!
Sinto a tarde correndo em mim
e, serena deixo-me ir com ela !
Nem mesmo isso me embaraça!
Entardeço.
Como os raios de luz, fugindo,
para se esconderem na linha do horizonte
levando com eles mais um ano
que se esgota, como areia entre os dedos.
Entardeço.
Vendo o reflexo de mim nos vossos rostos
E aceito feliz a noite que se aproxima!
Olhando as nuvens que passam
empurradas pelo vento
e o sol, meu amigo, que me acompanha e abraça!
Sinto a tarde correndo em mim
e, serena deixo-me ir com ela !
Nem mesmo isso me embaraça!
Entardeço.
Como os raios de luz, fugindo,
para se esconderem na linha do horizonte
levando com eles mais um ano
que se esgota, como areia entre os dedos.
Entardeço.
Vendo o reflexo de mim nos vossos rostos
E aceito feliz a noite que se aproxima!
Wednesday, October 20, 2010
Incompreensível tanta aceitação. Inaceitável viver assim, sem nexo. Ineficaz esta conformação silenciosa, a falta de sonoridade da voz popular!Sobram os gestos vazios sem horizontes e a falsa vontade de fazer tanto nada!Este vício de cruzar os braços de discutir o que não tem solução!Somos um mar de indivíduos apáticos, amorfos, passivos, palhaços sempre a tentar contornar inevitabilidades, sempre a evitar confrontar realidades, sem assumir lutas e raivas! Somos gentios fracos, sem personalidade nem valentia! Adoramos falar doe um passado glorioso, mas temos medo de enfrentar o desconhecido! Não queremos sacrificar o corpo nem a alma! Não fazemos compromissos de maneira alguma! E indiferentes ao futuro que nos acena, afundamo-nos num dia a dia tormentoso e sem patine. Desprovido de garra. Enquanto os predadores do mundo nos devoram as entranhas, entram pela nossa vida adentro e abusam de tanta ingenuidadel!Conformados com coisa nenhuma. Incapazes de investir em nós próprios. Não sabendo se sim, argumentando que não!Talves fosse bom ir lá, ou ficar por aqui... Também..não valerá a pena... Como eu, como nós, haverá muitos. Cansados de tanto conformismo, do empertiganço de gente sem conteúdo que não quer nem sabe chegar a lado nenhum... da subserviência de alguns, da incompetência de outros, e de tantos que passeiam a vaidade.Mas calados somos. Calados ficamos. E que tal fazer barulho? Todos juntos? Por nós e pelos que se calam? Por nós e pelos que não podem falar? Continuamos indecisos?! Quem????
Thursday, September 16, 2010
Ah! como eu queria ser branca
como as nuvens que há no céu
ser empurrada pelo vento
ficar fina como um véu.
E mesmo assim ser capaz
de combater mil gigantes
ter mil forças, ser um ás(!)
ser tal e qual como dantes
E até parece mal
que nada sendo, eu seja
ser tão estranho e especial
que tendo tudo, afinal,
sempre fica com a inveja
de querer sempre mais sal...
como as nuvens que há no céu
ser empurrada pelo vento
ficar fina como um véu.
E mesmo assim ser capaz
de combater mil gigantes
ter mil forças, ser um ás(!)
ser tal e qual como dantes
E até parece mal
que nada sendo, eu seja
ser tão estranho e especial
que tendo tudo, afinal,
sempre fica com a inveja
de querer sempre mais sal...
Não consigo escrever nada!
Seja sonho ou realidade.
Não tenho ideias, nem penas
Sejam grandes ou pequenas...
Não descubro em mim tal genialidade
Estou vazia, extenuada,
De tanto buscar o talento
Ou a veia criadora
Que me traga de bandeja
Uma rima, que se veja!
Acuso-me fraca escritora,
Sem jeito para tamanha empreitada!
Seja sonho ou realidade.
Não tenho ideias, nem penas
Sejam grandes ou pequenas...
Não descubro em mim tal genialidade
Estou vazia, extenuada,
De tanto buscar o talento
Ou a veia criadora
Que me traga de bandeja
Uma rima, que se veja!
Acuso-me fraca escritora,
Sem jeito para tamanha empreitada!
Inspirada pelas memória de longe,
Pesquei nesta alma quase esquecida da doçura
A frágil condição de um poeta por cumprir.
Obriguei-a a vibrar com as saudades adormecidas
A trautear melodias escondidas debaixo dos móveis
E a inspirar-se nos murmúrios de antigas paixões!
Abarrotei-a de sons doces, de palavras agrestes,
Saturei de sensações e imagens o espaço oco do meu espírito
E no horizonte do tempo, virtuosa, toquei musicas inspiradas !
Explodi, por fim, em gargalhadas
Enquanto os meus dedos, elétricos,
Se perdiam em frases e tremas e tinta
Escrevendo, escrevendo sempre.
Sobre mim, sobre vocês
Sobre o incomensurável vazio das horas,
E dos meses corridos sem luz,
Sobre o preto e branco dos dias
Ou a erupção absoluta da sua cor
Sobre a imensidão destes inexplicáveis afetos
Que elevam uma quase-(in)existência parda
A uma essência universal, resplandecente!
Pesquei nesta alma quase esquecida da doçura
A frágil condição de um poeta por cumprir.
Obriguei-a a vibrar com as saudades adormecidas
A trautear melodias escondidas debaixo dos móveis
E a inspirar-se nos murmúrios de antigas paixões!
Abarrotei-a de sons doces, de palavras agrestes,
Saturei de sensações e imagens o espaço oco do meu espírito
E no horizonte do tempo, virtuosa, toquei musicas inspiradas !
Explodi, por fim, em gargalhadas
Enquanto os meus dedos, elétricos,
Se perdiam em frases e tremas e tinta
Escrevendo, escrevendo sempre.
Sobre mim, sobre vocês
Sobre o incomensurável vazio das horas,
E dos meses corridos sem luz,
Sobre o preto e branco dos dias
Ou a erupção absoluta da sua cor
Sobre a imensidão destes inexplicáveis afetos
Que elevam uma quase-(in)existência parda
A uma essência universal, resplandecente!
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