Estou tentada a tirar-te daqui. Dentro tenho espaço. Tenho
visto tanta coisa tão estranha tramada por ti, que tenho de te desmascarar.
Todos podemos ter momentos terríveis. Mas tu foges tanto! Finges tanto! Pensavas
ter controlado tudo? Achavas-te tentador? Nem temível, afinal. Tempo? Perdi-o
tentando ainda transformar-me. Não tenho medo. Terminou esse totalitarismo
cinzento. Também quero ter vida! (E) Tudo que tenho direito! Todos nós temos dias!
Tentei amar-te. Tentei. Mas tentaste despojar-me totalmente. Hoje terminou ! Acabou-se!
Monday, April 17, 2017
DESAFIO Nº 7
«Isto está um caos!» resmunga Henriqueta. No horto o vento fizera
estragos. Ao ver o Domingos dormindo encostado à parede, grita « Até me dás
asco, com tanta preguiça! Pega nesse saco e guarda as pinhas!». Ele assim faz,
e pensa «está todo roto, não há quem o cosa?» dando-lhe um nó. Mas quando pega
nelas, diz entristecido «oh! Estão ocas!» Então ela diz-lhe: «se não coas
a caruma para um balde, sai tudo por aí… »
Profissão de fé da Leonor (Maio 2007)
Esta mãe, a Rosarinho
(resmungona mas presente)
nem sempre se manifesta
mas vibra de orgulho e carinho
quando te ouve cantar
ou quando te vê tão atenta
quer na aula, quer na festa
sempre pronta a ajudar.
Sei que por onde passas
deixas ficar as pegadas
do teu lindo coração.
Porque quem te conhece sente
a força que está presente
quando não dizes que não.
Mas hoje é um dia diferente.
Um dia cheio de Luz
cheio de amigos e gente,
que testemunha, contente,
este teu sim a Jesus!
Por isso ao ver-te sorrindo
minha querida Leonor
descubro brilhante o teu rosto
com o suave reflexo dessa Luz interior!
LINHAS
Linhas.
Princípio de caminhos. Fim de viagens. Mudança de
rumos.
Das Linhas.
Que se cruzam, entrelaçam, vão, vêm.
Cheias de passado. Cheias de futuro. As linhas.
Corações que vagueiam, sempre à procura. Gentes inquietas.
Mãos distraídas. Passos ansiosos.
Pelas linhas.
Sub linhas.
Da tristeza de quem parte, Do sonho de quem
segue sem rumo. Portos de abrigo de quem se reencontra.
Entre linhas.
Com nós pelo meio. Com abraços nas pontas. E
lágrimas perdidas por aí…
DESAFIO Nº 48
Saiu de casa, aliviado. O duche lavara os sonhos. Na paragem
do 58, viu gente a quem sorriu. Ninguém reparou nele, olhando o autocarro que
chegava. Entrou, e viu reflectido no espelho do motorista um desconhecido,
barbudo, de cabelo claro e frios olhos azuis. Afinal não fora um sonho: estava
preso num corpo estranho, e não sabia como lá entrara e se alguma vez sairia.
Cambaleou assustado, mas a sua alma negra sossegou-o . Talvez acordasse entretanto…
DESAFIO Nº 37
Pensei que fosse impossível retroceder deste jeito! Sempre
gostei de conhecer gentes diferentes. Equivoquei-me! Descobri que um
desconhecido pode ser doloroso! E pode mesmo deprimir, pondo em risco o
equilíbrio psíquico. Concluí isto, porque um homem lindo e sedutor primeiro me
deu o céu e depois me virou por dentro, estremecendo o meu pobre ego crédulo e
ingénuo. Foi triste perceber-me de
repente só e sentir que morremos no tempo. Como se nem tivesse tido um ontem.
DESAFIO Nº 3 (Numeros de 1 a 10)
A 1 de Abril partimos para Nova Iorque, com toda a família.
Ficámos num apartamento de 2 quartos, que nos acolheu aos 4, ainda que com
alguns encontrões à mistura! No 3º dia, a convite do pai, fomos os 6 à ópera no
MET onde, das 7 às 9, estivemos entretidos! Finalmente, na véspera do regresso,
fomos ao clube Blue Note, onde jantámos entre as 8 e as 10, ao som do jazz.
Foram dias verdadeiramente inesquecíveis!
DESAFIO Nº 20 (ABC invertido)
Um verdadeiro zero à esquerda, pensou.
Xavier sentia-se isso
mesmo. Aquela versão musicada fora um erro crasso. Pensara tanto naquela
apresentação que se engasgara no discurso.
Resolveu por dentro que este seu
sonho de negócio iria ficar morto à nascença! Assim, ligou a medo ao sócio para
saber a intenção final do cliente.
«Olá Xavier!» ouviu de lá. «Fantástico como encenaste tudo!
E ainda tinhas dúvidas!? Ficaram completamente doidos! Que bom teres ligado.
Amanhã assinamos!
Grande Guru!!»
DESAFIO Nº 20 (ABC seguido)
Há tempo que andava assim feliz e bem-disposta, sempre
a murmurar cantilenas! Isto acontecia desde que ele fora à loja vê-la.
Gostava dos seus piropos: havia nele uma ternura tão intensa, que fazia Juliana sentir-se sempre luminosa! Costumava disfarçar, mas era
difícil e nem sempre conseguia.
Hoje, olhou-o sorrateira e atentamente por um instante, quase
eterno. Depois, corada, riu sem jeito,
disse uma tontice, e mais uma vez ajeitou o xaile.
Adorava este Zé. Estava mesmo apaixonada!
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