EC Cascais 7 Jan 2019
Naquela noite, as terras correram diferentes e as nuvens pretas
cavalgaram o céu, desirmanadas. As chuvas varreram os montes, enchendo espaços
vazios e, onde antes tinham morado escuros de breu, existiam agora bocados
distorcidos de luar, a pairar em reflexos inquietos. Naquela noite, tudo se
moveu com a ventania. As árvores, as giestas e até as pedras da serrania. Do ribeiro
saltaram as águas revolvidas pela corrente forte e, sem pedir desculpa pelo abuso,
entraram margens adentro, inundando tudo em redor. Daquele instante, ficaram as
memórias frias dos homens sem chão. Em mim, só ficou a imagem das terras alagadas
de estrelas.