Sunday, January 13, 2019



EC Cascais 7 Jan 2019


Naquela noite, as terras correram diferentes e as nuvens pretas cavalgaram o céu, desirmanadas. As chuvas varreram os montes, enchendo espaços vazios e, onde antes tinham morado escuros de breu, existiam agora bocados distorcidos de luar, a pairar em reflexos inquietos. Naquela noite, tudo se moveu com a ventania. As árvores, as giestas e até as pedras da serrania. Do ribeiro saltaram as águas revolvidas pela corrente forte e, sem pedir desculpa pelo abuso, entraram margens adentro, inundando tudo em redor. Daquele instante, ficaram as memórias frias dos homens sem chão. Em mim, só ficou a imagem das terras alagadas de estrelas.


Friday, January 11, 2019

EC Cascais  07 Jan 2019

De boné na testa, deitou, cuidadoso, o azeite na lamparina. Precisava de mudar o rumo à vida e, para tirar o mofo às ideias, nada como praticar fagote. A música era o seu vício, mas não podia demorar muito, que se não burilasse a cauda do crocodilo embalsamado, o velho capitão iria de car ao chão e ainda o punha a encher frascos com tripas de peixe!
Enquanto divagava, Leal, o papagaio, viu uma mosca pousar nos cereais e berrou "tóxico!". Perto, Fisga, a cadela da tripulação, uivava ao som da melodia, O tripé de madrepérola, esse, brilhava ao luar. Sorrindo, pensou que no mar os dias nunca eram iguais...

Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...