Descobri-me há pouco e fui quase feliz imaginando um futuro.
Apercebo-me de que preciso de espaço, e empurro em todas as direções esta
pequena bolha. Mas os meus dias dependem cada vez mais da mãe que me abriga.
Ela anda, tropeça, chora, fazendo-me sentir perigos que não identifico, e oiço
mais fraca a voz doce que me sossega.
Depois o silêncio torna-me ansioso e sofro baixinho com fome e
medo. O frio abraça-me, por fim, devagar. E entendo. Afinal não vou
nascer.
(Trinta cadáveres, entre eles uma jovem mulher grávida, aparecem
numa praia grega. E o mundo chora, em choque.)