Tuesday, March 10, 2009

"Aquela magnólia
do jardim ao lado
tinha raízes profundas
na minha infância
e nos meus sonhos.
Aquela magnólia
tinha um tronco enorme
e os seus ramos frondosos
tinham as mais belas flores roxas.

Todo o ano.

Tuesday, March 03, 2009

Na relva húmida do parque,
deitada ficaste olhando o ceu e as estrelas.
Junto ao canteiro do lago
(onde um dia observaste os cisnes, invisível e só,
no meio da gente que não te soube ver.)
o manto daquelas flores
com que tantas vezes te enfeitaste,
escondeu-te do mundo embrulhada em trapos ,
salpicados de petalas e perfumes.
Ali na terra escura encontraste abrigo.
E o teu olhar fixou as estrelas
procurando, quem sabe, um amigo, ou
o calor do abraço da tão sonhada mãe,
deixando nesse pequeno rosto
gasto pela solidão, um sorriso.
Na relva húmida do parque
o frio te acolheu.
E a morte te levou.

De pé junto à grande janela do estúdio, a locutora olhou pensativa, para o céu. Depois, limpando uma lágrima, dirigiu-se para as câmaras, e anunciou:

Menina sem nome e sem idade,
envolta num magro cobertor
foi descoberta sem vida,
fixando o céu com um olhar sem cor.

Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...