Friday, February 27, 2009

Sonhei
que em vez de noite era dia
e em vez de chorar eu ria
da fartura e da alegria
duma paz nunca tardia
Sonhei
que já não era frio,
o que sentia, nem dor ,
mas sim muita luz e calor
e me aquecia um sol cheio e morno
num céu limpo de azul
Sonhei
que o mundo estava em mim
e resplandecia por fim
livre de odios e feridas
e almas desprevenidas
podiam pular sem medo
por entre o arvoredo
sem tiros, nem pontarias!
Sonhei, sim!
E até pareciam loucos
Lebres, patos e pardais
tão serenos e tão poucos
Os homens, menos que os animais!
Mas depois acordei
e estremunhada constatei
que o meu fora um sonho medonho.
e comigo-mundo o sonho brincara
E na alma só me ficara
uma réstea - muito vaga - de esperança
de uma eventual mudança.
Vislumbrei na alma então
uma chama de paixão.
Pulei veloz da cama
E à janela em pijama
decretei «é proibida a caça
Através desta vidraça»
e só depois sosseguei!!

(De tão estranho reparo
Fica somente a certeza
De a razão estar presa
A sonho madraço e raro)

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Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...