O mineiro despede-se. Os seus olhos erram, sorrindo o que
não sentem. Muda de roupa, e no elevador olha, sem ver, o escuro que o espera,
fazendo um paralelo com a morte que o espreita. Sempre tivera medo. Mas a vida
trouxera-lhe irónicos remates de sorte e agora ali estava. A descer todos os
dias o poço da mina. A comer nacos de sombras a cada colher de migas que levava
à boca. A despedir-se da família a cada turno, como se fosse o último. O
salário dava para viver sem fome, mas era-lhe francamente difícil viver sem
sol.
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2 comments:
Tão bem trazida a situação em que vivem os mineiros. Gostei muito! abraços, tudo de bom,chica
Obrigada querida Chica! bjs da R
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