Simão parecia realizado, feliz. Sentia-se importante quando
improvisava temas e brincando com as ideias e as palavras fazia deles
canções, que os amigos cantarolavam. Um dia conheceu-a e, estonteado por uma
estranha euforia, fez melodias e poemas arrojados, arrebatadores. Mas depois, aos
poucos, percebeu que a paixão que inventava borboletas dentro de si, não era
recíproca . E, aos poucos, perdeu-se descobrindo que o amor não correspondido amordaçava a
sua criatividade e que os poemas, outrora de cantar, não o seriam mais porque a
voz do seu coração desmaiara de amor. Então não aguentando a loucura e a
infelicidade provocadas por tão estranhos sentimentos, matou-se.
Em sua defesa,
alegou, em carta à família, que não houvera truques ou improvisos que o
ajudassem a acordar do pesadelo.
Mas se tivesse sobrevivido, descobriria que
afinal, tudo não passara de um enorme desencontro, de uma espécie de irónica
descoberta, própria dos jovens da sua idade.
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