Monday, February 04, 2019

EC Cascais 28 Jan 2019 - Simão


Simão parecia realizado, feliz. Sentia-se importante quando improvisava temas e brincando com as ideias e as palavras fazia deles canções, que os amigos cantarolavam. Um dia conheceu-a e, estonteado por uma estranha euforia, fez melodias e poemas arrojados, arrebatadores. Mas depois, aos poucos, percebeu que a paixão que inventava borboletas dentro de si, não era recíproca . E, aos poucos, perdeu-se descobrindo que o amor não correspondido amordaçava a sua criatividade e que os poemas, outrora de cantar, não o seriam mais porque a voz do seu coração desmaiara de amor. Então não aguentando a loucura e a infelicidade provocadas por tão estranhos sentimentos, matou-se. 
Em sua defesa, alegou, em carta à família, que não houvera truques ou improvisos que o ajudassem a acordar do pesadelo. 
Mas se tivesse sobrevivido, descobriria que afinal, tudo não passara de um enorme desencontro, de uma espécie de irónica descoberta, própria dos jovens da sua idade.

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Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...