Tuesday, February 05, 2019

EC Cascais 4 Fev 2019 - O meu mar


Já houve dias em que no fundo de mim houve uma espécie de mar. Com recantos profundos, silencioso, quase assustador. Aí guardava memórias e imagens de muitas horas afundadas em lágrimas,  de momentos ancorados a palavras ocas e correntes de desânimo.
Nesses dias não gostava nem de olhar o mar escuro. Assustava-me recordar a falta de ar e o vazio que me invadia ou pensar nos tempos em que não queria tanto tempo para estar só.
Mas sei que, hoje, o meu mar está límpido e mais azul. E na serenidade das suas águas tépidas passeiam-se seres luminosos, com pequenos filamentos emprestados pelo sol para iluminar instantes sem luz e pequenos peixes feitos de sonhos, cheios de cor. 
Nele já não há escuridão nem medo.
Só uma rocha grande onde me abrigo.


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Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...