Já houve dias em que no fundo de mim houve uma espécie de
mar. Com recantos profundos, silencioso, quase assustador. Aí guardava memórias
e imagens de muitas horas afundadas em lágrimas, de momentos ancorados a palavras ocas e
correntes de desânimo.
Nesses dias não gostava nem de olhar o mar escuro.
Assustava-me recordar a falta de ar e o vazio que me invadia ou pensar nos
tempos em que não queria tanto tempo para estar só.
Mas sei que, hoje, o meu mar está límpido e mais azul. E na
serenidade das suas águas tépidas passeiam-se seres luminosos, com pequenos
filamentos emprestados pelo sol para iluminar instantes sem luz e pequenos
peixes feitos de sonhos, cheios de cor.
Nele já não há escuridão nem medo.
Só uma rocha grande onde me abrigo.
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