Quando se entrava no alpendre daquela casa, ficava-se
apardalado com o ambiente. Sentia-se um estranho perfume no ar e o peso de uma
exuberância sufocante. Como se alguém tivesse tido intenção de chocar e delapidar
todos os cânones estéticos, e fazer-nos testemunhas de um quase desprezível
mau gosto. Havia uma misturada de bustos de animais, objetos étnicos de cores
fortes e plantas exóticas, reais e fingidas, de todos os tamanhos. Mas a figura
dominante, imprescindível neste ambiente, era um enorme e assustador leopardo
de olhos de esmeralda. Se a ideia era recriar uma espécie de selva tinham
conseguido! O dono da casa era conhecido pelos seus excessos e eu já ouvira
falar da sua fama de perdulário. Por isso não me foi difícil perceber
que aquela devia ser a sua obra de arte predileta!
Ao aperceber-me de toda esta volúpia envolvente , o primordial
foi abstrair-me logo dos aromas almiscarados. Depois de olhos arregalados,
entre o pasmado e o divertido, prometi a mim própria, há tantos anos professora
de arte decorativa, lutar vigorosamente contra um tão grande desequilíbrio estético.
Mas, tenho perfeita consciência, que nos dias de hoje é difícil combater o
espalhafato e receio bem que este se torne um estilo proliferador!
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