Stella não aguentava aquele vazio. Todo o tempo fingia que a
vida continuava e que os dias tinham razão de ser, confundindo amigos e família
com sorrisos inventados.
Mas a sua alma partira com o filho pequeno, quando ele se
empoleirara na janela aberta e caíra, levando-lhe a voz num imenso grito de dor.
Desde então, o seu coração de mãe fora endoidecendo aos poucos, em surdina,
fixando aquele abismo assassino.
Como uma folha seca, caiu do parapeito da janela do 35º
andar. O vento empurrou-a, fê-la cambalear e depois voar, pairando por
segundos, com a saia cheia de ar, como um balão.
«Finalmente!» ainda pensou.
Quem a viu cair, estranhou os
braços esticados para o céu…
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