Monday, February 04, 2019

EC Cascais 21 Jan 2019 - Vôo


Stella não aguentava aquele vazio. Todo o tempo fingia que a vida continuava e que os dias tinham razão de ser, confundindo amigos e família com sorrisos inventados.
Mas a sua alma partira com o filho pequeno, quando ele se empoleirara na janela aberta e caíra, levando-lhe a voz num imenso grito de dor. Desde então, o seu coração de mãe fora endoidecendo aos poucos, em surdina, fixando aquele abismo assassino.
Como uma folha seca, caiu do parapeito da janela do 35º andar. O vento empurrou-a, fê-la cambalear e depois voar, pairando por segundos, com a saia cheia de ar, como um balão.
«Finalmente!» ainda pensou. 
Quem a viu cair, estranhou os braços esticados para o céu…

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Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...