Thursday, May 21, 2009
De óculos “modernaços” na ponta do nariz, pensando que quem me olhar reparará mais no ar “fashion” que na provecta idade, vou lendo os textos dos outros, assimilando as ideias, aprovando a criatividade.... ´Em cada um descubro um potencial humorista, romancista, jornalista ou poeta... Em cada publicação constato perícias de tantos escritores do futuro!Pasmo-me com a amálgama de emoções que tudo me provoca. Adivinho imagens, encolho-me, sorrio, passo adiante, suspiro, aplaudo! Ou vocifero, desgosto-me e aponto defeitos na forma.... talvez, quem sabe, para minimizar os efeitos da inveja que alastra cá dentro como o líquido que uma qualquer esponja absorve...Aí, então, caio em mim, nesta realidade mais e mais inquietante! Eu já fui assim, num antes não muito antigo. Brilhante e inovadora. Repleta de frescura e ideias apeteciveis. Numa outra época, num outro tempo , também eu fui uma promessa num mundo entusiasta e cheio das ilusões de gente nova que o inundava com turbilhões de acontecimentos diferentes todos os dias, de ímpetos maquiavélicos e de decisões dramáticas!Mas hoje em dia, a flacidez é tão flagrante que a maioria de mim, perdão, dos textos são reposições de escritos antigos, pois a criatividade anda vazia, pobre e anémica. E quando o meu exaurido engenho se esforça para concretizar algo que se leia ou se veja , não sou aplaudida nem tão pouco por mim mesma!Vale-me a vida diária, compulsiva, feita de gestos e manifestações, suaves ou violentas, pois nos momentos inconscientes do dia a dia continuo a pensar-me como partícula integrante deste mundo frenético, movimentado, exigente, sem idade e sem tempo. E fico vítima deste permanente paradoxo «52?! já?! mas sinto-me tão jovem!!», encaixada em todas as idades e todos os tempos, mas simultâneamente desenquadrada do meu próprio espaço, quando julgo sentir-me uma miúda!Mas vou , na mesma, vivendo feliz numa espécie de dormência semi-consciente dos meus passos em “slow motion”, da minha falta de força, e da quase ridícula mania de que sou uma fulana com pinta, a quem os amigos dos meus filhos consideram relativamente “cool” porque conduz cantarolando todas as músicas que o rádio transmite!Finalmente assento as ideias, quando me confronto com o cansaço do fim de um dia de trabalho, e começo a ouvir meter a chave à porta. Um a um vão regressando a casa e ao meu coração os motes da minha existência, sossegando com um beijo e um “olá mãe” a loucura intemporal de uma ex-adolescente, sem eira nem beira.
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