DA JANELA DO MEU QUARTO
Da janela do meu quarto vejo a janela do 4º andar do prédio em frente.E nessa janela vejo o reflexo do meu olhar, a devassar o universo íntimo de alguém. Todos os dias tento ver mais e descobrir mais. O meu “voyeurismo” está a tornar-se uma obssessão. Já te trato como parte integrante do meu ritual diário. Como serás? Será que estás bem? Nunca abres a janela ou te aproximas...Até que decido alterar este horário. Resolvo espreitar ao fim do dia, quando chego a casa. Talvez assim...Nessa expectativa, nem consigo trabalhar direito. Não me concentro, tal a excitação que me invade por saber que vou encontrar a tua luz para lá da vidraça. Por fim, numa tarde muito escura de inverno, vejo-te ali e dou um rosto aos meus devaneios curiosos. Surpreendida, percebo-te deitado, enroscado, num novelo de desespero e solidão. Sinto os teus olhos tristes a percorrer o escuro como se (me) procurassem... E imagino o som das tuas lágrimas secas, os músculos flácidos e os espasmos de dor que te sacodem o corpo.Espreitar já não me satisfaz mais. Pressinto que precisas de alguém.Então, saio correndo, atravesso a rua e vou ter contigo
Friday, September 08, 2006
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Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...
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