Sunday, January 13, 2019



EC Cascais 7 Jan 2019


Naquela noite, as terras correram diferentes e as nuvens pretas cavalgaram o céu, desirmanadas. As chuvas varreram os montes, enchendo espaços vazios e, onde antes tinham morado escuros de breu, existiam agora bocados distorcidos de luar, a pairar em reflexos inquietos. Naquela noite, tudo se moveu com a ventania. As árvores, as giestas e até as pedras da serrania. Do ribeiro saltaram as águas revolvidas pela corrente forte e, sem pedir desculpa pelo abuso, entraram margens adentro, inundando tudo em redor. Daquele instante, ficaram as memórias frias dos homens sem chão. Em mim, só ficou a imagem das terras alagadas de estrelas.


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Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...