Friday, March 02, 2018

Microconto 1Março2018


Descobri-me há pouco e fui quase feliz imaginando um futuro. Apercebo-me de que preciso de espaço, e empurro em todas as direções esta pequena bolha. Mas os meus dias dependem cada vez mais da mãe que me abriga. Ela anda, tropeça, chora, fazendo-me sentir perigos que não identifico, e oiço mais fraca a voz doce que me sossega.
Depois o silêncio torna-me ansioso e sofro baixinho com fome e medo. O frio abraça-me, por fim, devagar. E entendo. Afinal não vou nascer.

(Trinta cadáveres, entre eles uma jovem mulher grávida, aparecem numa praia grega. E o mundo chora, em choque.)

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Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...