CONTO INFANTIL - Ele há coisas
Era uma vez uma coisa entre coisas.como muitas outras coisas, não se sabia bem para o que servia, o que era ou porque estava ali.mas era bonita, com muitas mais coisas por dentro e por fora a enfeitar. por dentro fazia barulho devido ao arroz a dançar; por fora tinha pózinhos dourados, de encantar.E era grande e redonda, cheia de luzinhas....Estava dentro de uma caixa, no armário de uma família feliz.De vez em quando ouvia a família: portas a bater, miúdos a correr, vozes, barulhos ... E ela, para ali arrumada, sem destino .Mas como era grande, redonda e cheia de luzinhas, não a deitaram fora : podia servir para qualquer coisa (Lá está! também não se sabia muito bem para o quê!) Esta coisa tinha várias penas. Uma delas era não ter um nome(Sim, porque tudo na vida tem um nome, não é?)Mas não era parecida com nada conhecido !! e por isso ninguém sabia o que lhe chamar!!E assim, passavam-se os dias, uns atrás dos outros, e ela para ali... ansiosa, na esperança que aparecesse outra coisa igual a ela...Grande, redonda e cheia de luzinhas..Ela bem olhava para trás, para a frente, para os lados, mas não aparecia nenhum coisa semelhante.Até que um dia, começaram os preparativos para o Natal. E os pais abriram o armário e tiraram de lá várias caixas,cheias de luzes e enfeites, que foram levadas para a sala para decorar o pinheiro bonito, que estava junto à janela grande. Nessa altura, um dos meninos perguntou à mãe « ?puquéque? não pões também aquela coisa na ávore? » e a mãe assim fez: ali bem no meio dos ramos verdes, até nem era má ideia!E aquela coisa, como era grande, redonda e cheia de luzinhas,ficou lá tão bem! Então, de repente, viu-se rodeada de mil outras coisas também redondas, umas maiores, outras mais pequenas, com luzinhas e sem elas!! muiiiito parecidas com ela!! YUPIIII! Pensou. Estou rodeada de coisas e coisinhas como eu! Já não estou sozinha!Pela tardinha, quando o pai chegou a casa, reparando na árvore de natal, disse: - Olha, olha!! onde é que encontraram isto? Nem sabia que ainda existia! Sabem que fui eu que a fiz com a minha mãe quando era pequeno? Devia ter para aí uns quatro anos! – e, virando-se para o filho exclamou:- Oh Tiago, não queres fazer também umas coisas parecidas para enfeitar o nosso Natal ?Todos ficaram surpreendidos com o convite! Pois se o pai nunca parava para brincar!! E foi um momento tão especial que pôs toda a família feliz! Até aquela coisa, que era grande, redonda e cheia de luzinhas, ficou contente, porque viu o pai e o filho a tentar fazer outra coisa igual a ela !! Compreendeu então porque esteve guardada durante tanto tempo. Afinal não fora por esquecimento mas sim por ser importante!
Porque era feita de momentos de ternura cheios de palavras mágicas como estas que se ouviam agora. «Liiindo! Estás a ver como és capaz?».
FIM
Wednesday, October 11, 2006
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
Este papel sabe a sussurros e a olhares... Sabe a palavras gritadas através de ventos e mares. Sabe a gotas de letras, feitas de recordações...
-
A Júlia ficou sem pinga de sangue ao passar rente ao carro da florista Manuela e a troca de vitupérios que se seguiu entre elas foi um...
-
Na relva húmida do parque, deitada ficaste olhando o ceu e as estrelas. Junto ao canteiro do lago (onde um dia observaste os cisnes, invisív...
-
"Aquela magnólia do jardim ao lado tinha raízes profundas na minha infância e nos meus sonhos. Aquela magnólia tinha um tronco enorme e...
No comments:
Post a Comment